o conceito

Inserindo-se, desde a sua origem, numa periferia suburbana da capital, o Chão de Oliva assume o repto de trabalhar com e para o seu território, procurando incentivar o seu desenvolvimento, diminuir assimetrias regionais e incentivar a reflexão alargada sobre “Centros” e de “Periferias”.

Em março de 2012, ano em que completou 25 de trabalho contínuo, o Chão de Oliva iniciou um novo festival anual, que congrega a experiência acumulada na organização dos anteriores festivais e nas áreas artísticas abrangidas, e que se transformou no único festival produzido pelo Chão de Oliva, o Periferias – Festival Internacional de Artes Performativas em Sintra.

O Periferias pretende construir um espaço de valorização e apresentação da criação teatral das “regiões periféricas” portuguesas e das “periferias” de países de língua oficial portuguesa. Além disso, pretende promover o encontro e a formação de criadores, o desenvolvimento de públicos e constituir um motor de atração de novos públicos e de criação de novas centralidades no território.

MANIFESTO da 10.ª edição PERIFERIAS

Não cancelamos! Não adiamos!
Não desistimos!
Haja força e ânimo para o constante exercício de reinvenção.
Mesmo quando nos apetece desistir.
Haja cultura!

O PERIFERIAS faz 10 anos.
Vamos celebrar apesar desta desalmada pandemia. Vamos celebrar apesar dos cancelamentos e confinamentos que nos deixou à míngua durante um ano inteiro. Vamos fazer a festa apesar de, por agora, não nos podermos abraçar, brindar, aplaudir a menos de um metro e meio de distância.
SIM, vamos fazer a festa!

O Periferias deixou, ao longo destes dez anos, um lastro significativo na vida cultural e artística deste nosso território. A sua missão cultural, criou laços e memórias afetivas.
O Periferias foi pioneiro na descentralização da programação cultural, levando espetáculos de elevada qualidade artística a espaços que não no centro histórico. Assumiu como missão a luta contra a exclusão social e a marginalização, democratizando a Cultura no seu território.
A cultura tem de ser para tod@s!

O PERIFERIAS vai continuar a sua missão, com mais fulgor do que nunca!
Apesar desta certeza, foi sob o signo da incerteza que sonhámos este festival.

Planeamos, programamos, reprogramamos consoante os ditames da desalmada, a tal pandemia e do orçamento que teimava em não chegar. Foi com o coração na boca que dissemos:
Não cancelamos! Não adiamos! Não desistimos!
Resistimos e Reinventamo-nos!

E assim concebemos o Periferias Quatro Estações: Primavera, Verão, Outono, Inverno.

Em Março, no despontar da Primavera, ainda em provável confinamento, faremos o Periferias online. Estaremos juntos, no Zoom, síncronos ou assíncronos, nas diversas plataformas, a debater o presente e o futuro do teatro e das artes performativas na sua relação com as tecnologias; a refletir sobre as questões emergentes da nossa contemporaneidade, que tanto nos preocupam; a discutir como é que a arte estimula os indivíduos a apropriarem-se do mundo para transformá-lo; a repensar as relações humanas. E, ainda, partilhando espetáculos em livestreaming ou pré-gravados.

Mas porque entendemos que a nossa missão é também social, acreditamos que as artes performativas, ao vivo, criam nos espectadores uma experiência de comunidade insubstituível. Por isso, não abdicamos dos espetáculos ao vivo e vamos fazer um Periferias outdoor, de Verão, entre a brisa do mar e o ar puro da nossa serra.

Ao entrarmos no Outono, vamos ter o Periferias indoor, juntando a nossa, a tantas outras vozes que declaram que o teatro filmado não é teatro! Trazemos o teatro de volta a casa. Vamos estar na nossa Casa de Teatro, com mais espetáculos e encontros inspiradores e estimulantes, entre criadores e público. Mas também vamos ao encontro dos outros públicos: os que estão espalhados pelo território rural e suburbano, menos “próximos” da Casa de Teatro, mas cada vez mais “próximos” da arte, e que nos acolhem com tanto entusiasmo nas suas casas (salas de espetáculos das igrejas, das juntas de freguesia, das coletividades). É a isto que nos temos dedicado. Cada vez mais: é na relação com o(s) público(s) que nos encontramos e nos revemos.

Encerraremos o Periferias à entrada do Inverno, perto do fim do ano. Teremos cumprido a nossa missão, de celebrar, com pompa e circunstância, os 10 anos de vida do Periferias, celebrando o fim da pandemia (podemos sonhar já com isso, não podemos?), e dando um grande abraço a todos os que resistiram e aos que desistiram também! Porque isto foi tudo muito difícil!